Da redação
O Haiti segue enfrentando uma grave crise multidimensional, marcada por instituições frágeis, violência de gangues e sérias necessidades humanitárias. Segundo Carlos Ruiz Massieu, representante especial do secretário-geral da ONU, um novo acordo político firmado recentemente representa “um momento de esperança e progresso para o povo haitiano”, que não participa de eleições presidenciais desde 2015 — ano em que Jovenel Moïse foi eleito e mais tarde assassinado em 2021. Desde então, o país é governado por administrações interinas.
O recém-assinado Pacto Nacional para a Estabilidade e a Organização das Eleições, destacado por Ruiz Massieu, busca restaurar a segurança, organizar eleições confiáveis e restabelecer a governança democrática. A instabilidade política se reflete no cotidiano: em 2023, as gangues armadas cometeram mais de 8,1 mil assassinatos, sequestros, recrutamento de crianças e violência sexual, levando ao deslocamento de cerca de 1,5 milhão de pessoas.
O atual primeiro-ministro, Alix Didier Fils-Aimé, afirmou que as eleições municipais, parlamentares e presidenciais ocorrerão até o fim de 2026, com o primeiro turno previsto para 20 de agosto e, se necessário, um segundo turno junto das eleições municipais, em 6 de dezembro. Cerca de 300 partidos ou grupos políticos estariam registrados para o pleito.
A ONU, principal articuladora internacional ao lado da OEA e Caricom, atua por meio do Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti (Binuh), liderado por Massieu e com mandato até janeiro de 2027. O Binuh coordena esforços para facilitar o diálogo político, apoiar reformas judiciais, combater a violência e monitorar violações de direitos humanos.
Apesar desses avanços, a insegurança, a fragilidade institucional e a fragmentação política seguem como obstáculos. Para a ONU, uma transição política confiável e liderada por haitianos é indispensável para evitar o agravamento da crise e permitir a recuperação do país.







