Da redação
O Banco Mundial alerta que a criação de empregos segue como uma das ferramentas mais eficazes para combater a pobreza, mas a exclusão digital limita o impacto do crescimento econômico sobre o trabalho e a renda. Em artigo recente, a instituição destacou que, embora a posse de celulares seja quase universal, apenas 16% das pessoas vivendo com menos de três dólares por dia têm acesso à internet, e o uso de computadores é praticamente inexistente entre esse grupo.
Levantamentos realizados em diversos países apontam que os mais pobres permanecem desconectados de instrumentos digitais essenciais para acessar mercados de trabalho, impulsionar a produtividade agrícola e melhorar a mobilidade econômica. Entre famílias acima da linha da extrema pobreza, mas ainda abaixo do rendimento médio-alto, só metade é conectada, e somente um em cada oito possui computador.
Segundo o Banco Mundial, estudos relacionam maior conectividade à elevação dos níveis de emprego, melhores salários e redução da pobreza. Em países como Tanzânia e Nigéria, a expansão da banda larga aumentou o consumo das famílias e favoreceu a migração de trabalhadores do campo para setores não agrícolas. Na Jordânia, houve crescimento da participação feminina no mercado de trabalho. No entanto, tais benefícios concentram-se em quem já está conectado, ampliando desigualdades. O custo do acesso também pesa mais sobre as famílias mais pobres, que destinam mais de 5% de seu consumo à internet.
A exclusão é agravada por fatores como a falta de eletricidade, que afeta 1,18 bilhão de pessoas, e o baixo nível de letramento digital. Esses desafios são mais intensos nas zonas rurais, onde somente 39% têm acesso à internet, contra 75% nas áreas urbanas. No setor agrícola, 70% dos extremamente pobres estão empregados, mas apenas 30% possuem acesso à internet e só 7% têm computador.
Com a entrada de mais de 1 bilhão de jovens nos mercados de trabalho dos países em desenvolvimento nos próximos dez anos, especialistas do Banco Mundial consideram fundamental priorizar a inclusão digital das populações mais pobres para que as tecnologias digitais cumpram seu papel na geração de empregos e na redução da desigualdade.






