Início Brasil Em 2025, pelo menos 1.248 homens assassinaram mulheres no Brasil

Em 2025, pelo menos 1.248 homens assassinaram mulheres no Brasil


Da redação

Em 2023, 1.248 homens mataram 1.568 mulheres no Brasil, das quais 62,6% eram negras e 66,3% foram assassinadas dentro de casa. Os números foram debatidos nesta quarta-feira (11) na comissão do Congresso Nacional de combate à violência contra a mulher. A reunião, presidida pela deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), destacou a subnotificação dos casos e a necessidade de ações urgentes. “Essas estatísticas envergonham o país inteiro e pedem ação”, afirmou a deputada, usando dados do DataSenado para embasar políticas públicas.

Durante o debate, todas as participantes ressaltaram o papel do Ligue 180, central nacional de denúncias. Ellen dos Santos Costa, coordenadora-geral do serviço, afirmou que o Ligue 180 é uma “porta de saída do ciclo de violências” e destacou que 30% das denúncias atualmente já são feitas por terceiros ou de forma anônima.

A secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa Rodrigues Naves, frisou a gravidade da violência política de gênero. “Não existe democracia de nenhuma natureza se não houver igualdade de gênero”, declarou, reforçando que o feminismo é um projeto social que visa eliminar a desigualdade.

Rúbia Abs da Cruz, do Consórcio Lei Maria da Penha, alertou para o aumento de todas as formas de violência — física, psicológica, sexual, digital — e anunciou que o movimento de mulheres, em parceria com o ministério, trabalha numa proposta de lei para combater a violência digital. Juliana Brandão, pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, reforçou a vulnerabilidade das mulheres negras, que compõem 62,6% das vítimas.

Sandrali Campos Bueno, vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, defendeu a proteção da autonomia corporal das mulheres e políticas públicas construídas com a participação das vítimas. “A transformação não será completa se não alcançarmos também aqueles que foram socializados para dominar”, declarou. Também participaram do debate Schuma Schumaher, Margareth Rose e Marina Andrade, representantes de movimentos de mulheres.