Da redação
Mensagens localizadas pela Polícia Federal na caixa de emails de Daniel Vorcaro mostram uma tentativa acelerada de vender uma cobertura no edifício Vizcaya Itaim, em São Paulo, no valor de R$ 60 milhões, no dia 17 de novembro de 2023 — data da primeira prisão do ex-banqueiro. O imóvel, ainda em construção, pertence à Viking, uma das principais empresas ligadas a Vorcaro, e tem projeto assinado por João Armentano, incluindo três pavimentos e 12 vagas de garagem.
Nas conversas, Regiane Bernardes, da Victorino Imóveis, representando Vorcaro, faz cobranças à Bolsa de Imóveis para conclusão do negócio e relata urgência devido à mudança de administração da Viking. Ela confirma o valor da transação e solicita documentos como o termo de quitação do imóvel e a guia de pagamento do ITBI. O advogado Bruno Bianco, ex-Advogado-Geral da União no governo Bolsonaro, aparece como representante do comprador, reiterando a importância do envio do termo de quitação.
A tentativa de venda ocorreu em meio a outros acontecimentos relevantes naquele dia, como uma reunião de Vorcaro com o Banco Central e o anúncio da compra do Banco Master pela Fictor, fato que autoridades suspeitam ter servido como distração para uma possível fuga. Às 16h35 de 17 de novembro, a representante de Vorcaro recebe autorização formal para seguir com a negociação, minutos após a Justiça Federal expedir mandado de prisão contra o empresário.
A venda, no entanto, não foi concluída. Vorcaro foi preso na mesma noite, e, na manhã seguinte, o Banco Central liquidou o Banco Master. Bianco afirmou à Folha que agiu apenas como advogado do interessado na compra e não tinha conhecimento de bloqueios ou da prisão de Vorcaro à época das negociações.
A Bolsa de Imóveis informou que não comenta transações sem autorização formal ou ordem judicial. Procurada pela reportagem, a representante de Vorcaro não respondeu aos contatos até o fechamento desta edição.






