Da redação
A crise alimentar na Somália atinge níveis críticos e afeta cerca de 6 milhões de pessoas entre abril e junho de 2025, equivalente a 31% da população do país. Segundo agências da ONU, a grave situação exige resposta imediata para evitar consequências ainda mais severas à segurança alimentar nacional.
Relatório do Sistema de Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC) aponta que aproximadamente 2 milhões de crianças de seis meses a cinco anos estão em situação de subnutrição grave, causada pela ingestão insuficiente de calorias. Destes casos, 493 mil apresentam desnutrição aguda severa, que implica perda rápida de peso e eleva em 12 vezes o risco de morte nessas crianças.
Ainda de acordo com o IPC, aproximadamente 1,9 milhão de somalis vivem atualmente em emergência alimentar, número que triplicou em menos de um ano. O coordenador humanitário da ONU no país, George Conway, descreve o cenário como “alarmante e urgente”. A seca severa, a insegurança, o auxílio limitado e o impacto de conflitos regionais agravam o quadro.
Etienne Peterschmitt, representante da FAO na Somália, afirma que o país “está num ponto crítico”. Se a estação das chuvas não ocorrer e a assistência humanitária não for ampliada, o risco de fome pode se intensificar no sudeste do território, onde 40% das crianças já sofrem de desnutrição aguda, conforme dados da agência internacional.
A FAO destaca que 90% da população recebe pouca ou nenhuma assistência humanitária atualmente, devido a limitações financeiras que restringem o trabalho das agências de ajuda. O fechamento de mais de 500 unidades de saúde e nutrição também limita o controle de doenças e eleva o risco de mortalidade, principalmente entre as crianças.
Diante do agravamento do cenário humanitário, FAO, Ocha, Unicef e PAM solicitam reforço urgente de assistência multissetorial. As agências enfatizam que o financiamento sustentado e previsível é considerado essencial para evitar uma catástrofe humanitária no território somali.






