Da redação
Empresas privadas cubanas iniciaram, pela primeira vez em quase 70 anos, operações para importar combustível, após autorização inédita do governo comunista. A medida foi adotada no início de fevereiro diante do agravamento da crise energética na ilha, provocado pelas sanções dos Estados Unidos e bloqueio do envio de petróleo venezuelano, imposto pelo então presidente Donald Trump desde janeiro, após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas.
Trump também ameaçou aplicar tarifas a países que vendessem hidrocarbonetos a Cuba, o que contribuiu para a queda das reservas de combustível, segundo empresários ouvidos pela AFP. Um empresário afirmou, sob anonimato, que sua firma privada comprou um isotanque com 25 mil litros de diesel dos Estados Unidos através de uma importadora estatal, prevendo entrega ainda nesta semana.
As operações de importação são realizadas sob licença do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Departamento do Tesouro dos EUA, que permite a aquisição de determinados insumos. Empresários cubanos relatam à AFP ainda negociações com fornecedores do Caribe e Europa para contornar a escassez. A ilha, sob embargo americano desde 1962 e com população de 9,6 milhões, está há mais de um mês sem receber petroleiros, segundo especialistas em rastreamento marítimo.
Para enfrentar a crise, o governo cubano incluiu na mesma decisão a restrição da venda de gasolina e a suspensão temporária da venda de diesel. Até o momento, não foram divulgadas condições oficiais para empresas interessadas em importar combustível, apenas a exigência de “controles de segurança” para armazenamento, relata um empresário.
Segundo Oniel Díaz, consultor do setor privado, a medida representa uma nova oportunidade: em 2025, as vendas privadas de combustível superaram as estatais, atingindo 55% do total. Atualmente, existem 9.700 empresas privadas na ilha, responsáveis por 15% do PIB e pelo emprego de mais de 30% da força de trabalho ativa.






