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Energia solar pode multiplicar geração da Usina de Itaipu e revolucionar produção energética


Da redação

O reservatório da usina de Itaipu, localizado na fronteira entre Brasil e Paraguai, possui cerca de 1,3 mil quilômetros quadrados de perímetro, com quase 170 km de extensão e largura média de 7 km. Aproveitando esse vasto espelho d’água, técnicos brasileiros e paraguaios têm estudado, desde o fim de 2023, a geração de energia por painéis solares flutuantes, além da tradicional produção hidrelétrica, que já chega a 14 mil megawatts (MW).

Foram instalados 1.584 painéis fotovoltaicos em uma área de menos de 10 mil metros quadrados sobre o lago, a 15 metros da margem paraguaia, onde a profundidade chega a 7 metros. Com capacidade de 1 megawatt-pico (MWp), a energia gerada é suficiente para abastecer 650 residências, mas atualmente é usada apenas para consumo interno da usina, sem ligação com o sistema hidrelétrico ou comercialização.

Esse projeto experimental, chamado de “ilha solar”, tem como meta principal servir de laboratório para futuros avanços na exploração comercial da energia solar flutuante. Engenheiros avaliam impactos ambientais, como comportamento de peixes e algas, alterações na temperatura da água e efeitos do vento sobre os painéis. Rogério Meneghetti, superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, destaca que cobrir 10% do reservatório com placas solares poderia dobrar a capacidade atual da usina, embora tal expansão exija atualização do Tratado de Itaipu, de 1973.

O investimento na planta solar foi de US$ 854,5 mil (R$ 4,3 milhões). A instalação ficou a cargo de um consórcio formado pelas empresas Sunlution (Brasil) e Luxacril (Paraguai), vencedoras da licitação.

Além da energia solar, a Itaipu Binacional investe em diversificação com projetos de hidrogênio verde e baterias, desenvolvidos no Itaipu Parquetec, criado em 2003 em Foz do Iguaçu (PR) em parceria com universidades e empresas. O centro pesquisa a produção de hidrogênio “verde” via eletrólise da água, técnica que não emite CO₂.