Início Eleições Entenda como turbulências políticas mergulharam o Peru em uma ‘economia fantasma’

Entenda como turbulências políticas mergulharam o Peru em uma ‘economia fantasma’


Da redação

O Peru irá às urnas neste domingo (12/4) para escolher seu novo presidente e Congresso Nacional em meio a um cenário de instabilidade política e crescimento econômico abaixo do potencial. Conhecido por sua estabilidade macroeconômica e por ser uma das moedas mais sólidas da América Latina, especialistas ressaltam que as turbulências políticas têm cobrado um preço do país.

“O Peru possui há tempos uma economia que caminha em piloto automático, em modo zumbi”, afirmou Armando Mendoza, economista do Centro Peruano de Estudos Sociais, à BBC News Mundo. Segundo ele, a separação entre política e economia é “uma meia verdade” e a instabilidade política tem limitado o desenvolvimento econômico.

Entre 2019 e 2024, a taxa de pobreza saltou de 20% para 27,6%. A média de crescimento do PIB caiu para cerca de 2,3% desde 2022, distante do potencial estimado entre 5% e 6%. Em 2023, após a destituição do então presidente Pedro Castillo e a onda de protestos, a economia retraiu 0,55%. “Foi um ano em que ficou muito claro que o desajuste político afetou o andamento da economia”, destacou Mendoza.

A sucessão de presidentes e ministros, que hoje permanecem no cargo por menos de dois anos e cerca de oito meses, respectivamente, dificulta o planejamento de longo prazo, especialmente em setores como a mineração. O atual presidente, José María Balcázar, tomou posse em fevereiro e deve deixar o cargo em julho, acentuando a volatilidade. A corrupção, apontada por pesquisas como um dos maiores problemas do país, resulta na captura de segmentos do Estado por máfias, segundo Mendoza.

Para 2024, o Banco Central projeta um crescimento de 2,9% do PIB, um dos maiores da região, dependendo do cenário internacional e das eleições. Resta ao novo governo o desafio de superar o “modo zumbi” da economia e retomar o progresso social e econômico do Peru.