Início Celebridades Especialista alerta para falta de estudos sobre autismo na terceira idade

Especialista alerta para falta de estudos sobre autismo na terceira idade


Da redação

Idosos com transtorno do espectro autista (TEA) passam a receber atenção crescente de pesquisadores, mas seguem pouco visíveis para a ciência, saúde e políticas públicas. O tema foi discutido na quarta-feira, durante o Brain Congress 2026, realizado em Porto Alegre, pela psiquiatra Daniela Bordini de Alencar Araripe, da Unifesp.

Segundo Daniela, o envelhecimento de pessoas autistas ainda representa um campo pouco explorado. “A literatura é extremamente escassa para essa população. Se já temos poucos estudos sobre autismo na vida adulta, imaginem na terceira idade”, afirmou. Apenas uma pequena parcela dos estudos sobre autismo foca em pessoas idosas, apesar do aumento recente da produção científica.

A especialista identifica dois grupos principais que requerem atenção: aqueles que receberam diagnóstico ao longo da vida e envelhecem com TEA diagnosticado, e aqueles que chegam à terceira idade sem nunca terem sido identificados. O diagnóstico tardio pode representar “ressignificação de uma vida inteira de incompreensão e exclusão”, declarou.

Rigidez de comportamento, necessidade intensa de rotina e aumento na sensibilidade sensorial tendem a se acentuar com o envelhecimento. Muitos idosos autistas vivem isolamento social, especialmente após perdas familiares ou quando institucionalizados. Dificuldades para comunicar necessidades agravadas pelo TEA dificultam o acesso aos serviços de saúde.

A psiquiatra observa que pessoas autistas têm maior vulnerabilidade a condições como ansiedade, depressão, doenças cardiovasculares, diabetes, distúrbios do sono, problemas gastrointestinais e neurológicos. Estudos indicam risco mais alto para demência e Parkinson. “Frequentemente, tudo acaba sendo atribuído ao autismo, o que pode atrasar a identificação de outras doenças”, apontou Daniela.

Para garantir melhor qualidade de vida no envelhecimento, Daniela defende ambientes organizados, comunicação clara, adaptação sensorial e acesso a cuidados médicos. Ela destaca a necessidade de mais investimentos, formação de profissionais e investigação científica específica. A psiquiatra encerrou reforçando que compreender o envelhecimento de autistas será fundamental diante do crescimento dessa população.