Início Mundo Especialista da ONU alerta: queda na fertilidade exige atenção, não alarme

Especialista da ONU alerta: queda na fertilidade exige atenção, não alarme


Da redação

Segundo o mais recente relatório do Estado da População Mundial, 20% dos adultos não conseguem ter o número de filhos que desejam. O conselheiro de Economia e Demografia do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), Michael Herrmann, destaca que a queda nas taxas de fertilidade não deve ser tratada com pânico ou pressão, e sim por meio do fortalecimento das escolhas reprodutivas. Em entrevista à ONU News, durante a Comissão sobre População e Desenvolvimento em Nova Iorque, Herrmann afirmou que políticas de incentivos financeiros para aumentar a natalidade não foram eficazes na reversão do declínio da fertilidade.

Segundo o novo Inquérito do Unfpa sobre Escolhas Reprodutivas dos Jovens, conduzido em 70 países, as principais barreiras para ter filhos são práticas e pessoais. Entre os motivos citados pelos entrevistados estão os altos custos de criação, educação e moradia, incertezas econômicas, preocupações políticas e ambientais, além da desigualdade nos papéis de gênero. Herrmann defende que políticas populacionais baseadas em direitos precisam considerar todos esses fatores.

Para o especialista, as mudanças demográficas não representam uma crise, mas uma realidade a ser compreendida e utilizada para construir sociedades mais resilientes. Ele afirma que a “resiliência demográfica” permite a adaptação de países em diferentes estágios demográficos, aproveitando oportunidades como o “dividendo demográfico” e investimentos em capital humano, tecnologia e produtividade.

Sobre envelhecimento populacional e perda de mão de obra, Herrmann considera rudimentares medidas como aumentar a idade da aposentadoria. Ele sugere alternativas como trabalhos de meio período e novas funções adaptadas às preferências dos trabalhadores mais velhos. O conselheiro também destaca o papel fundamental da migração, que é muitas vezes mal compreendida.

Em diversos locais, migrantes enfrentam desemprego por falta de integração, reconhecimento de qualificações e barreiras linguísticas. Herrmann cita a Alemanha como exemplo de país que evitou o declínio populacional com políticas migratórias. O especialista reforça a necessidade de utilizar os dados populacionais para promover direitos humanos, inclusão e tecnologia, visando sociedades mais adaptadas e inclusivas.