Da redação
A jurista portuguesa Marta Valiñas, ex-presidente da Missão Internacional Independente de Apuração dos Fatos sobre a Venezuela, afirmou que o país enfrenta hoje “elevada incerteza política”, marcada pela atuação de grupos armados conhecidos como coletivos e por preocupações com detenções arbitrárias de presos políticos. Valiñas coordenou relatórios para o Conselho de Direitos Humanos da ONU e destaca que o contexto venezuelano é de instabilidade institucional, repressão política e falta de transparência em processos de libertação.
Segundo a especialista, a indefinição sobre quem exerce o real poder no país aumenta o risco para os direitos humanos e abre espaço para a ação de coletivos armados, que estariam fortalecidos após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro. Ela relata que esses grupos atuam alinhados ao governo e tiveram papel de destaque na repressão política, especialmente após as eleições presidenciais de 2024, inclusive ameaçando opositores pelas redes sociais.
Sobre as detenções, Valiñas aponta que, apesar da libertação de dezenas de presos políticos, faltam informações detalhadas sobre o destino dessas pessoas. Muitos libertados seguem sob medidas cautelares e continuam impedidos de se manifestar publicamente, permanecendo, de fato, sob restrições. “O apelo é para libertações completas e incondicionais, com encerramento dos processos”, disse.
A especialista também alertou para a diferença entre números divulgados oficialmente e os verificados por organizações de direitos humanos quanto ao total de libertados. Para ela, as recentes mudanças sugerem uma maior disposição do governo venezuelano para avançar em novas libertações, atribuída à pressão internacional, mas ressalta que o cenário demanda acompanhamento contínuo.
Por fim, Valiñas ressaltou o clima de cautela na Venezuela e entre a diáspora portuguesa, citando o decreto estatal que prevê a detenção de quem apoie a intervenção dos Estados Unidos ou a captura de Maduro. “O ambiente é de expectativa e medo, enquanto se aguarda maior clareza sobre o futuro político e democrático do país”, conclui.





