Da redação
Especialistas da ONU expressaram “profunda preocupação” com a proibição imposta pelo Talibã, governo de facto do Afeganistão, ao acesso de mulheres a instalações da ONU no país. Em comunicado divulgado por dezenas de relatores de direitos humanos, os peritos classificaram como “ultrajante” o fato de soldados armados estarem policiando os portões dos complexos da ONU para impedir a entrada das afegãs.
Desde setembro, o Talibã vem impedindo mulheres, incluindo funcionárias da ONU, de ingressar em dependências da organização internacional. A medida se soma a uma série de restrições impostas desde 2021, que afastam sistematicamente as mulheres do serviço público, da sociedade civil e de empregos remunerados, agravando as condições socioeconômicas já precárias enfrentadas por elas.
Os especialistas destacam que a medida compromete operações humanitárias e de proteção, especialmente em ambientes onde mulheres precisam prestar serviços a outras mulheres. Segundo eles, a assistência essencial, inclusive em resposta a desastres naturais, está sendo prejudicada, tendo mulheres e meninas como principais vítimas.
A repressão aos direitos das mulheres afegãs foi debatida em setembro, em evento paralelo à Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, com participação da atriz e ativista americana Meryl Streep. Na ocasião, Streep afirmou que “no Afeganistão de hoje, mulheres têm menos direitos que um gato”.
No comunicado, os relatores afirmam que a ONU não pode operar de acordo com seus valores e sua Carta se mulheres forem sistematicamente excluídas. Eles pedem que o Secretário-Geral da ONU e os Estados-Membros exerçam pressão diplomática contínua para reverter as restrições e destacam que apoiar as mulheres afegãs é essencial para preservar a ação humanitária e o futuro do país.







