Da redação
Especialistas da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) alertam que erros comuns no uso de medicamentos podem prejudicar tratamentos e agravar quadros de saúde. Entre os principais problemas estão a automedicação e a adoção de recomendações de amigos ou parentes, práticas que expõem pessoas a riscos desnecessários.
Segundo o médico de família Arthur Fernandes, da SES-DF, seguir sugestões informais para uso de remédios é um dos equívocos mais frequentes. “As experiências de doença são únicas”, afirma o médico, enfatizando que até condições com o mesmo diagnóstico podem exigir tratamentos diferentes. O perigo aumenta no caso do uso indiscriminado de medicamentos controlados, especialmente em pessoas com histórico familiar de doenças graves, como AVC.
O uso de remédios sem receita também preocupa. Fernandes cita o exemplo da testosterona, que, ao ser utilizada para ganho de desempenho, pode causar sérios efeitos colaterais, como problemas cardíacos, metabólicos, neurológicos e alterações de humor. Entre mulheres, a automedicação com antibióticos para infecções urinárias facilita a resistência antimicrobiana, dificultando tratamentos futuros e podendo levar à necessidade de internação.
A resistência aos antimicrobianos, segundo o Ministério da Saúde, já responde por 1,3 milhão de mortes diretas por ano e pode se tornar a principal causa de óbitos até 2050, agravada pelo uso excessivo e descarte inadequado desses medicamentos.
Outro erro relatado é a interrupção do uso regular de remédios contínuos. Sara Ramos, diretora de Assistência Farmacêutica da SES-DF, alerta para o abandono de tratamentos por esquecimento ou autoavaliação errada sobre a eficácia dos medicamentos: “Achar, por conta própria, que o medicamento não está funcionando é um equívoco.” O armazenamento inadequado, como em locais úmidos ou quentes, também compromete a eficácia dos remédios e deve ser evitado.







