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Estudo aponta que Amazônia não se recuperou totalmente da seca do último El Niño


Da redação

Um novo episódio do fenômeno El Niño, confirmado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, ameaça a floresta amazônica, que ainda não se recuperou das secas históricas recentes. Segundo estudo publicado na revista científica Pnas, mais da metade das áreas intactas atingidas pela seca não devem retornar às condições anteriores mesmo após sete anos.

As análises indicam que secas recentes causaram perdas severas de umidade do dossel das árvores e uma queda de biomassa acima da média registrada desde 1992. Segundo Flávia Costa, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, a estiagem de 2023-2024 foi particularmente extensa, resultando em redução drástica dos níveis de água nos principais rios amazônicos, como o Negro, que atingiu seu nível mais baixo em 122 anos, e o Solimões, cujas margens apareceram com bancos de areia e igarapés secos.

Estudos apontam que o intervalo mais curto entre eventos extremos dificulta a regeneração da floresta, que historicamente já levou de três a sete anos para se recuperar de secas anteriores. Luiz Eduardo Oliveira e Cruz de Aragão, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, alerta que a tendência é de perda de biomassa, menor capacidade de reciclar água e alteração das características microclimáticas originais da floresta. Ele pondera, porém, que os impactos se agravam quando se somam a fatores como desmatamento seletivo e incêndios.

Durante o século passado, a Amazônia enfrentou dez grandes secas, sete delas ligadas ao El Niño. Nos primeiros 25 anos deste século, a região teve novos episódios severos de estiagem, também influenciados pelo aquecimento do Atlântico Norte. O desmatamento e o uso do solo, segundo especialistas, reduzem ainda mais a capacidade de resiliência da floresta, principalmente em áreas de transição para o cerrado, no sul da Amazônia.