Estudo identifica 10 tendências que vão moldar o comércio global em 2026


Da redação

Após um crescimento recorde de cerca de 7% em 2025 e superando os US$ 35 bilhões pela primeira vez, o comércio global enfrenta perspectivas mais desafiadoras para 2026, segundo a Agência de Comércio e Desenvolvimento da ONU (Unctad). Em sua Atualização do Comércio Global, a primeira divulgada este ano, a Unctad aponta dez tendências que estão redesenhando os fluxos, regras e integração econômica mundial.

A economia global deverá manter crescimento moderado de 2,6% em 2026. Economias em desenvolvimento, excluindo a China, devem crescer 4,2%. Já os Estados Unidos terão expansão de 1,5%, a China de 4,6% e a Europa contará com estímulo fiscal limitado. A desaceleração já reduz a demanda por exportações e aumenta a exposição a choques externos, principalmente nos países em desenvolvimento.

O relatório destaca que a 14ª Conferência Ministerial da OMC, marcada para 26 a 29 de março em Yaoundé, Camarões, ocorre em meio à alta de tarifas e tensões geopolíticas. Principais preocupações dos países em desenvolvimento incluem restaurar o sistema de resolução de litígios, preservar espaço para políticas nacionais e avançar em questões como agricultura, pesca, comércio digital e investimentos.

A Unctad aponta também a intensificação do uso de tarifas como estratégia protecionista, especialmente na indústria transformadora, elevando custos e incertezas. A reconfiguração das cadeias globais de valor, influenciada por fatores geopolíticos e diversificação de fornecedores, está criando novos polos comerciais, mas pode reduzir eficiência global.

Outros destaques do relatório incluem o peso crescente do comércio de serviços, sobretudo digitais, e do comércio Sul–Sul, que já representa 57% das exportações entre países em desenvolvimento. A agência reforça ainda o impacto de questões ambientais, volatilidade nos preços de minerais críticos, vulnerabilidade do comércio agrícola e o aumento de medidas regulatórias restritivas desde 2020, fatores que devem marcar o comércio global em 2026.