Da redação
Um estudo feito nos Estados Unidos indica que recomendações apoiadas por cientistas e pela população geram mais confiança do que mensagens vindas de governos ou grandes empresas, segundo pesquisa publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. O levantamento avaliou temas relacionados a saúde, meio ambiente e tecnologia, e analisou cerca de 55 mil americanos em quatro estudos distintos.
De acordo com os resultados, mensagens respaldadas por especialistas aumentaram a disposição dos participantes para adotar atitudes como vacinação, uso de veículos elétricos e doações para organizações. O efeito foi ainda mais forte quando cientistas e cidadãos se posicionaram juntos. Já as opiniões de governos e empresas, segundo o estudo, tiveram influência menor sobre decisões individuais.
Gregg Sparkman, professor assistente de Psicologia e Neurociência no Boston College, afirmou que “o que nos surpreendeu foi como a voz combinada de cientistas e cidadãos comuns importou de forma consistente em diferentes questões e grupos políticos”. Em experimentos práticos, uma campanha envolvendo cientistas e cidadãos elevou em 50% as doações a uma organização de privacidade digital, mesmo sem apoio governamental. Outro teste mostrou que anúncios no Facebook com apoio conjunto tiveram melhor desempenho.
Anandita Sabherwal, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade de Princeton e no Boston College, destacou que “o fracasso institucional não precisa levar à paralisia pública”. Para os autores, o estudo sugere que a confiança em especialistas, a informação qualificada e a participação social podem estimular mudanças relevantes, mesmo diante da ausência de ação por parte de grandes instituições.




