EUA pede diálogo entre curdos e autoridades sírias após combates em Aleppo


Da redação

Os Estados Unidos solicitaram neste sábado (10) que o governo sírio e as forças curdas retomem o diálogo, após dias de intensos combates em Aleppo que forçaram cerca de 155 mil pessoas, em sua maioria curdos, a deixarem suas casas, segundo autoridades locais. Desde terça-feira, pelo menos 21 civis morreram em confrontos entre o governo central da Síria e forças curdas, que controlam parte do nordeste do país.

Os conflitos são os mais violentos registrados em Aleppo desde a queda de Bashar al Assad, em dezembro de 2024, e surgem após dificuldades para implementar um acordo firmado em março destinado a integrar instituições curdas e das Forças Democráticas Sírias (FDS) ao novo Estado. As autoridades sírias informaram que combatentes curdos se renderam e estavam sendo evacuados para a região autônoma curda, relato que foi negado pelas forças curdas, classificando-o como “totalmente falso”.

O enviado americano, Tom Barrack, reuniu-se com o presidente sírio Ahmed al Sharaa em Damasco, onde pediu “moderação” e um cessar imediato das hostilidades. Paralelamente, a União Europeia fez um apelo semelhante para que “todas as partes retomem urgentemente o diálogo político”.

O Exército sírio anunciou o fim das operações militares em Sheikh Maqsud, após assumir o controle de Ashrafieh, outro bairro curdo. Segundo observação da AFP, ao menos quatro ônibus transportando combatentes foram escoltados por forças de segurança, enquanto as forças curdas afirmaram que seguiriam resistindo e negaram uma rendição.

Na sexta-feira, o Exército sírio abriu dois corredores humanitários para civis saírem de bairros curdos e propôs o transporte seguro de combatentes para áreas sob controle das FDS, proposta rejeitada pelos que seguem entrincheirados em Sheikh Maqsud. A escalada preocupa devido à possível intervenção da Turquia ao lado de forças sírias e ao apoio declarado de Israel aos curdos.