Da redação
Especialistas em geopolítica e questões militares consideram frágil o acordo de cessar-fogo anunciado entre Estados Unidos (EUA) e Irã, apontando que a trégua temporária serve para o Pentágono se preparar para um possível novo ataque massivo. A avaliação foi feita pelo diretor do Instituto de Altos Estudos de Geopolítica, Segurança e Conflitos (GSEC), Rodolfo Queiroz Laterza, e pelo cientista político Ali Ramos, em entrevista à Agência Brasil.
Segundo Laterza, “esse cessar-fogo é bastante precário”, uma vez que a movimentação das forças norte-americanas no Oriente Médio permanece intensa. Ele cita a operação de cerca de 500 aviões dos EUA na região, equivalente a um quarto da frota aérea militar do país, além de logística armamentista crescente e mobilização da brigada de artilharia. Laterza relembra ainda que “os EUA têm padrão de promover bombardeios massivos para depois declararem vitória e se retirarem, como no Vietnã em 1972”.
Ali Ramos destaca o esgotamento dos estoques americanos de mísseis. “Só na primeira semana foram gastos 800 mísseis Patriot. Eles estão com estoques baixos”, afirma. Ramos acrescenta que a pausa no conflito está servindo para reabastecimento de munições, mas pondera que os EUA não teriam condições de manter uma guerra prolongada.
O cientista político também observa pressões internacionais para que o Irã aceite a trégua. “A China fez pressão para o Irã aceitar. Os países do Golfo provavelmente também”, disse Ramos, indicando uma busca iraniana por melhor posicionamento estratégico na região.
Ramos avalia ainda que o ataque massivo de Israel contra o Irã, nesta quarta-feira (8), visa implodir o acordo de cessar-fogo. Ele afirma que “Israel torpedeou todos os cessar-fogos até o momento”, associando a posição israelense à sobrevivência política do premiê Benjamin Netanyahu. O Irã, por sua vez, ameaçou romper a trégua devido a ataques israelenses contra o Líbano e exige cessar-fogo em todas as frentes. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou à PBS News que o Líbano está fora do acordo devido ao Hezbollah.







