Da redação
A Europa registrou um ritmo de aquecimento duas vezes superior à média global em 2025, conforme relatório Estado do Clima na Europa divulgado nesta quarta-feira pela Organização Meteorológica Mundial. O documento indica que pelo menos 95% do continente teve temperaturas anuais acima da média, com ondas de calor intensas e generalizadas.
Incêndios florestais afetaram extensas áreas de Portugal, Espanha e França durante o ano, com o pico sendo atingido em agosto. Em uma única semana, regiões do noroeste da Espanha e norte de Portugal enfrentaram as maiores emissões anuais de incêndios florestais dos últimos 23 anos. Três mortes e cerca de 500 pessoas afetadas foram registradas.
Segundo os pesquisadores responsáveis pelo relatório, a transição de períodos úmidos para secos tornou a vegetação mais suscetível ao fogo, aumentando a extensão e frequência dos incêndios. No total, 1.034.552 hectares foram queimados no continente, com Espanha e Portugal concentrando 65% desta área — 380.877 e 265.139 hectares, respectivamente.
Além dos incêndios, eventos climáticos extremos marcaram o ano. Em novembro, a Tempestade Claudia provocou inundações em Portugal, Espanha, Irlanda e Reino Unido, enquanto tornados foram relatados em Portugal e na França. A forte elevação das temperaturas agrava o degelo nos Alpes e no Ártico, por vezes ultrapassando os 30°C, com registro máximo de 34,9°C em Frosta, na Noruega.
Os glaciares europeus sofreram perda de massa significativa, sendo a Islândia a segunda maior da sua história. A cobertura de neve ficou 31% abaixo da média histórica. Além disso, 2025 foi um dos três anos mais secos desde 1992, com 70% dos rios apresentando vazão abaixo da média e ondas de calor marinhas afetando 86% das áreas costeiras.
O relatório sintetiza o trabalho de cerca de 100 colaboradores científicos, detalhando mudanças nos principais indicadores climáticos europeus. O documento destaca impactos em ambientes frios, ecossistemas marinhos, rios, lagos e no risco crescente de incêndios florestais, comprovando que o continente é o que aquece mais rapidamente no mundo.






