Início Distrito Federal Evento de aniversário de Ricardo Cappelli levanta suspeitas de campanha eleitoral antecipada

Evento de aniversário de Ricardo Cappelli levanta suspeitas de campanha eleitoral antecipada

Da redação do Conectado ao Poder

Celebração gratuita para 1.500 convidados no Clube do Choro levanta questionamentos sobre financiamento e legalidade do evento

O secretário executivo do Ministério da Justiça e pré-candidato a um cargo eletivo, Ricardo Cappelli, realizou, nesta terça-feira (13), um evento no Clube do Choro, em Brasília, para celebrar seu aniversário. A festa, que contou com apresentações musicais, bebidas gratuitas e cerca de 1.500 convidados, levantou suspeitas de possível campanha eleitoral antecipada e abuso de poder econômico. A principal dúvida gira em torno do financiamento da celebração: quanto foi gasto e quem pagou a conta?

Estrutura e possível viés político

Batizado de “Sambão do Cappelli”, o evento reuniu artistas, bandas e apoiadores em uma festa aberta, sem cobrança de ingressos ou qualquer tipo de custo para os convidados. A amplitude da celebração e sua organização chamaram a atenção, levantando questionamentos sobre um possível uso indireto da festividade para promoção política.

De acordo com especialistas em direito eleitoral, qualquer evento que possa influenciar eleitores e criar um ambiente favorável a um futuro candidato antes do período oficial de campanha pode ser considerado propaganda eleitoral antecipada. O uso de recursos financeiros para essa finalidade, se comprovado, pode configurar abuso de poder econômico, uma infração à legislação eleitoral.

Legislação e possíveis infrações

A legislação brasileira define como propaganda eleitoral qualquer ação que vise promover um candidato, explícita ou veladamente, antes do período permitido. No entanto, há uma linha tênue entre eventos privados e aqueles que podem ser considerados de interesse eleitoral.

O advogado eleitoralista Rodrigo Vasconcelos explica que “festas e eventos podem ser enquadrados como campanha antecipada se houver evidências de que foram utilizados para angariar apoio político, principalmente se envolvem grandes custos e ampla divulgação”. Segundo ele, caso seja comprovado o financiamento irregular ou o uso de recursos públicos, Cappelli poderia enfrentar sanções como multas e até mesmo a inelegibilidade.

O que diz Ricardo Cappelli?

Até o momento, Ricardo Cappelli não se manifestou oficialmente sobre os questionamentos em torno do evento. Sua assessoria também não divulgou informações sobre os custos da festa ou a origem dos recursos utilizados para sua realização.

Por outro lado, aliados do secretário afirmam que a celebração teve caráter estritamente pessoal, sem qualquer vínculo eleitoral. Argumentam ainda que a presença de apoiadores e políticos não significa, por si só, que houve intenção de promover uma candidatura.

Próximos passos

A expectativa agora é que órgãos responsáveis, como o Ministério Público Eleitoral (MPE), analisem o caso para verificar se há indícios de irregularidade. Se houver denúncias formais, uma investigação pode ser aberta para apurar se o evento violou as regras da pré-campanha e se houve abuso de poder econômico.

Enquanto isso, a discussão sobre o uso de eventos comemorativos para fins eleitorais continua a gerar debates. O episódio reforça a necessidade de fiscalização rigorosa sobre ações que possam influenciar o pleito de forma desigual, garantindo a transparência e a equidade do processo eleitoral.