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Ex-deputado Vilmar Rocha prevê eleitor mais moderado em 2026 e critica polarização “afetiva”


Da redação

O ex-deputado federal Vilmar Rocha (PSD) prevê que o eleitor brasileiro adotará postura mais moderada nas eleições de 2026, após os pleitos de 2018 e 2022 serem marcados por forte polarização e votos motivados por rejeição. “O eleitor votou com raiva, emocionalmente, normalmente contra alguém. Não era por gostar do candidato”, avaliou Rocha em entrevista ao Jornal Opção.

A opinião de Rocha é respaldada pelo cientista político Gaudêncio Torquato, que identifica sinais de maior racionalidade nas escolhas do eleitorado. “Há sinais cada vez mais visíveis de que o voto começa a deixar o terreno exclusivo da emoção para ingressar no campo da racionalidade”, afirmou. Segundo ele, fatores como histórico dos candidatos e questões práticas, como saúde, segurança e economia, devem ser centrais na disputa de 2026.

A chamada “fadiga moral”, resultado de sucessivos escândalos políticos, é apontada por Torquato como responsável pela transição do eleitor de torcedor para juiz. “Quando a confiança se dissolve, o eleitor passa a exigir mais resultados concretos e menos promessas”, disse. Recentes investigações e episódios como o caso do Banco Master e a citação de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) em investigações reforçam o desgaste ético da política, segundo o cientista político.

Mesmo com expectativa de mudança, Vilmar reconhece que a polarização deve continuar influente devido à falta de alternativas. “Ela continua dominante porque não surgiram alternativas viáveis até agora”, disse, mas apontou espaço para nomes como Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. Torquato destaca, entretanto, que o centro sofre com falta de unidade para consolidar uma candidatura competitiva.

Ambos avaliam que o eleitor de 2026 exigirá menos marketing e slogans, buscando perfis mais experientes e confiáveis. “O voto não deixará de ter emoção, mas tenderá a ser cada vez mais filtrado pela razão”, concluiu Torquato. Rocha ressaltou que o cenário ainda está em aberto: “Acredito que o eleitor será mais cauteloso e buscará candidatos mais confiáveis”.