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Ex-diretor do BC ligado ao Master é suspeito de manipulação de dados para driblar apurações internas


Da redação

O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Paulo Sérgio Neves de Souza, é suspeito de manipular informações sobre o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, entre 2017 e 2023. De acordo com relatos de duas pessoas com conhecimento do caso, Souza teria fornecido dados incorretos à diretoria do BC e minimizado queixas de concorrentes sobre o modelo de negócios do Master, supostamente para disfarçar práticas suspeitas e driblar investigações internas.

Segundo a Polícia Federal (PF), Souza também teria atuado como consultor informal de Vorcaro em troca de vantagens, aspecto que levou o ministro André Mendonça, do STF, a afastá-lo do cargo em 2024. O ex-diretor nega irregularidades e afirma que nunca manipulou informações, ressaltando que o processo de fiscalização envolve diferentes equipes e é devidamente documentado.

As investigações apontam que o esquema envolvia empréstimos suspeitos concedidos a 36 empresas pelo Master, das quais pelo menos 23 atuam nos setores imobiliário, de hotelaria e construção. Só em setembro de 2024, o BC identificou os primeiros indícios de irregularidades, e no ano anterior havia mapeado o desvio de recursos para fundos de investimentos. O BC chegou a pedir ao Ministério Público Federal o congelamento de R$ 11,5 bilhões de fundos administrados pela Reag.

Internamente, discussões entre Paulo Sérgio e integrantes do BC, como o atual presidente Gabriel Galípolo, foram marcadas por divergências sobre o balanço do Master. Em episódios, o ex-diretor demonstrava nervosismo e apresentava pareceres favoráveis ao banco de Vorcaro, inclusive na operação de aquisição pelo BRB, depois rejeitada pelo BC.

Após a liquidação do Master, em novembro de 2025, o patrimônio de Souza e do ex-chefe de Supervisão, Belline Santana, motivou abertura de investigação interna. Na semana passada, a CGU recebeu o resultado da sindicância e avalia instaurar processo administrativo disciplinar, podendo culminar na exoneração de Paulo Sérgio.