Da redação
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi preso na manhã desta quinta-feira (16/4) em seu apartamento, no Noroeste, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Ele foi conduzido à Superintendência Regional da Polícia Federal, no Distrito Federal, onde passou por audiência de custódia e, em seguida, será encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda.
A Operação Compliance Zero apura crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa envolvendo a negociação de títulos de crédito falsos ligados ao Banco Master. Nesta fase, foram cumpridos dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), com autorização da Procuradoria-Geral da República (PGR). As investigações estão sob sigilo.
Segundo informações obtidas pelo Metrópoles, a prisão de Paulo Henrique Costa está relacionada ao pagamento de suposta propina pelo Banco Master em negociações com o BRB, referentes à compra de seis imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões, sendo quatro em São Paulo e dois em Brasília. A apuração aponta que o grupo suspeito estruturou um esquema de compliance paralelo no BRB para burlar controles internos, usando empresas de fachada para a aquisição e transferência dos imóveis.
Paulo Henrique Costa assumiu a presidência do BRB em 2019 e liderou a tentativa de compra do Banco Master pela instituição. Durante seu mandato, o BRB adquiriu ativos considerados “podres” do Banco Master, o que levou a uma crise, exigindo um provisionamento de cerca de R$ 8,8 bilhões, conforme o atual presidente, Nelson Antônio de Souza. Os ativos foram avaliados pelo BRB em R$ 21,9 bilhões.
Afastado judicialmente do cargo em novembro de 2025, Costa negou à Polícia Federal, em depoimento realizado em dezembro, que o BRB tivesse a intenção de salvar o Banco Master. Ele afirmou que a compra de carteiras foi uma decisão técnica e que não havia compromisso do BRB com a sobrevivência do Master, destacando que o contrato final excluía R$ 51 bilhões em ativos e passivos.






