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Excesso de telas entre idosos preocupa


Da redação

O acesso à internet entre idosos cresceu de forma expressiva no Distrito Federal, impulsionado pela popularização dos smartphones. De acordo com o Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF), 75,9% das pessoas com 60 anos ou mais já utilizam a internet na região. Desses, 74,7% navegam principalmente pelo celular ou tablet, aproximando-se dos índices de adultos (94,8%) e jovens (95,3%), segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada (PDAD-A) 2024.

Márcia Barbosa de Lima, 60 anos, moradora de Planaltina, relata que costuma ficar cerca de duas horas diárias no celular, especialmente em redes sociais e vídeos, mas admite que pode ultrapassar esse tempo. Ela aponta casos em que o uso se torna excessivo: “Conheço pessoas que ficam o dia inteiro. Às vezes, só de ver um comentário, você percebe que a internet já consumiu o cérebro da pessoa”, afirma.

Estudos apontam que o brasileiro passa, em média, 53 horas e 30 minutos por semana conectado, segundo o Digital 2026 Global Overview Report, da DataReportal. Entre os principais motivos para o uso da internet estão busca por informações (76%), pesquisas de como fazer coisas (69,4%), contato com familiares e amigos (69,1%) e consumo de vídeos, séries e filmes (66,4%).

Especialistas alertam para os riscos do uso excessivo. Ana Valéria M. Mendonça, professora da UnB, ressalta impactos na saúde mental, como ansiedade e piora do sono. Kerlla Luz, professora do UDF, defende que políticas públicas considerem diferenças geracionais e ressalta a importância do letramento digital: “É preciso ensinar fazendo, permitir que o idoso construa sua própria independência digital”, destaca.

A Secretaria de Justiça e Cidadania do DF atua com programas como o Viver 60 e o Melhor Idade Conectada, que oferecem cursos presenciais e online, além de atividades de inclusão digital. As iniciativas buscam promover o uso seguro da tecnologia e ampliar a autonomia da população idosa.