Da redação
Uma diferença superior a 14 anos na expectativa de vida entre diferentes grupos no Brasil evidencia profundas desigualdades sociais, conforme mostra estudo divulgado nesta terça-feira, 25, pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) e Cedeplar/UFMG. O levantamento demonstra que fatores de gênero, raça e região influenciam diretamente quanto tempo as pessoas vivem no país.
De acordo com a pesquisa, as diferenças de gênero respondem por 56% dessa disparidade, seguidas por desigualdades raciais (23%) e regionais (21%). O estudo detalha ainda que, na prática, um homem negro nascido em Alagoas pode esperar viver, em média, até 66,7 anos, enquanto uma mulher branca em Santa Catarina tem expectativa de vida de 80,9 anos.
Segundo o levantamento, Santa Catarina apresenta os melhores indicadores de longevidade para todos os grupos analisados — homens, mulheres, brancos e negros —, enquanto Alagoas registra os piores resultados. Os dados também indicam que a menor diferença na expectativa de vida entre brancos e negros ocorre em Pernambuco, com “gap” de 3,4 anos.
O estudo aponta que para os homens, quase metade da diferença de longevidade entre brancos e negros deriva de causas externas, especialmente homicídios que atingem jovens de 15 a 34 anos. Caso a sobremortalidade por violência fosse neutralizada, a diferença entre homens negros e brancos poderia ser reduzida em até três anos.
No grupo feminino, a desigualdade racial está associada principalmente a doenças cardiovasculares, câncer e enfermidades respiratórias entre mulheres de 35 a 59 anos. O trabalho ressalta que as mulheres vivem mais que os homens em todos os 180 países analisados, conforme destaca Paulo Tafner, diretor-presidente do IMDS.
O levantamento utilizou metodologia de estimação indireta, cruzando informações do IBGE, SUS e Atlas do Desenvolvimento Humano, com cinco etapas de calibração. Estados com as maiores expectativas de vida frequentemente também oferecem melhores serviços de saúde, educação e segurança, segundo dados do Ranking de Eficiência dos Estados.






