Da redação
A extinção do teste de baliza no exame da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) em São Paulo acelerou o processo das provas e gerou opiniões divergentes entre candidatos e instrutores. O novo modelo, aprovado pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito), também trouxe impacto significativo no mercado de trabalho, resultando em demissões e preocupação com a estabilidade dos instrutores de autoescola.
Segundo relatos, o fim da obrigatoriedade das aulas em autoescolas para a realização do exame motivou cortes nas equipes. Uma instrutora, que preferiu não se identificar, afirmou estar cumprindo aviso prévio após sua autoescola reduzir o quadro de 38 para 7 profissionais no Jaçanã, zona norte da capital.
De acordo com o Sintradete (Sindicato dos trabalhadores, empregados, instrutores, diretores em autoescola), entre mil e duas mil instrutores já foram demitidos na cidade desde o fim da exigência das 20 horas-aula, reduzidas agora para apenas duas. “O ministro [dos Transportes, Renan Filho] simplesmente não consultou a categoria”, criticou o presidente do Sintradete, Valdir José Lima, ressaltando que a medida enfraquece vínculos empregatícios e direitos trabalhistas.
Durante os exames realizados nesta terça-feira (27), candidatos demonstraram posições distintas. A estudante Maria Clara Cabral, 18, afirmou que a ausência da baliza facilita a aprovação, mas pode piorar o desempenho no trânsito. Já Pedro Henrique Júnior, 18, lamentou a retirada e reforçou a importância da etapa para a vida real.
Instrutores apontam ainda que outras mudanças, como o uso de carros automáticos e a redução da carga horária mínima, são encaradas com desconfiança. “Para ser bom, o sujeito precisa de, ao menos, 10 a 12 aulas”, disse o serralheiro Geraldo Magela da Conceição, 73, candidato à habilitação.





