Fábio Ramalho oficializa candidatura consolidando cenário para segundo turno em disputa na Câmara

Deputado se apresenta como alternativa à polarização

O deputado Fábio Ramalho (MDB-MG) lançou oficialmente candidatura à presidência da Câmara, em jantar para a imprensa, na noite de quarta-feira (20). Integrante da mesma sigla do, até então, provável favorito Baleia Rossi (MDB-SP), ele se lança de forma independente, sem temer represálias do partido. 

Conhecido pelo trânsito fácil no meio político, o emedebista, que está no quarto mandato como deputado deputado federal, concorre pela terceira vez ao comando da Mesa. Ramalho chegou a ser vice-presidente da Casa de 2017 a 2019. 

O amplo diálogo é uma bandeira que o parlamentar defende não só nos discursos, ou nas declarações para jornalistas, mas que põe em prática nos muitos jantares que oferece aos colegas, seja no gabinete ou no apartamento que ocupa em Brasília. 

“Conhece a casa da mãe Joana? É aqui, mas não é porque tem bagunça, é porque recebe todo mundo”, diz um funcionário à porta da residência. Na sala, Fabinho Liderança, como é conhecido, lembra histórias, como a da cantoria com o ex-presidente Michel Temer, ocorrida naquele mesmo recinto. 

Confrontado sobre eventual alinhamento ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido-RJ), o deputado reitera sua convicção no diálogo equilibrado. “Fui e sou amigo de todos os presidentes. Temos que cultivar um relacionamento harmonioso com o Executivo para que as pautas de interesse da população avancem”, diz.

Terceira via viável

Fábio Ramalho destaca que sua candidatura se apresenta como “a terceita via viável”,para que os colegas parlamentares tenham uma alternativa à polarização. “Sou candidato para harmonizar a Casa e para colocá-la em sintonia com o povo, com as ruas.” 

O slogan que adotou é “Por um só clero”, o que, para ele, representa a necessidade de mudança na estrutura de poder dentro da Câmara. “Temos que empoderar todos os deputados para que possam, de fato, representar o eleitor.A avaliação externa da Câmara tem sido muito ruim. A gente tem que abrir a Casa para que volte a ter uma pauta ampla, que atenda a construção, a agricultura, a industria, a infraestrutura e garanta a prestação dos serviçoes públicos. Hoje é uma Parlamento voltado para pautas de bancos da Faria Lima”, afirma.

Segundo turno é cenário mais provável

No cenário atual da corrida à presidência da Câmara, considerando um eventual desembarque do PSL do bloco de Baleia Rossi para o o bloco de Artthur Lira (PP-AL), que é o candidato apoiado pelo governo, há possibilidade de a disputa ir para votação em segundo turno. 

Na avaliação de Ramalho, o segunto turno é inevitável. Ele acredita que as candidaturas de Luiza Erundina (PSOL-SP) e Marcel Van Hattem (NOVO-RS)também darão mais força a este cenário, mesmo que com poucos votos.

Na primeira vez que concorreu ao comando da Mesa, em 2016, Fábio Ramalho teve 16 votos. Na tentativa seguinte, em 2019, subiu para 66 o número de deputados que deram voto ao parlamentar eleito por Minas Gerais. 

Em conversa informal, à mesa de jantar, foi feito um cálculo rápido, onde deu-se conta que o número de votos para ele, de uma eleição a outra, cresceu 312%. “Nessa progressão, o senhor já está eleito”, alguém disse. Todos riram, mas, seguindo com a brincadeira, a mesma progressão levaria o deputado a ter 271 votos, mais que o suficiente para vencer.

Depois, considerando suas chances reais, mencionou que a adesão à sua candidatura não vem de um determinado bloco ou bancada, mas está diluída por toda a Câmara.Ramalho fez ligações para todos os  deputados e tem a convicção de ter, pelo menos, 100 votos garantidos para este pleito, “podendo chegar a 180 em primeiro turno”, concluiu.