Da redação
Nossa Senhora Aparecida foi incluída no centro da disputa pela Presidência após a circulação de uma informação falsa segundo a qual Flávio Bolsonaro (PL) retiraria, caso eleito, o título de padroeira do Brasil. O boato, surgido após fala do candidato em uma live, mobilizou candidatos, igrejas e intensificou debate entre ministros do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal.
A declaração de Flávio ocorreu durante uma transmissão em agosto, quando afirmou que “decretaria que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Petistas passaram a espalhar a teoria de que, em parceria com setores de igrejas evangélicas neopentecostais, o candidato planejava retirar o título de Nossa Senhora Aparecida. O assunto ganhou força após divulgação da GloboNews, o que impulsionou ainda mais sua disseminação nas redes sociais.
Como parte da ofensiva, adversários de Flávio ressuscitaram projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado e pastor evangelico Victorio Galli (PP). A proposta previa a destituição da santa como padroeira do país, porém foi arquivada em 2008. Posteriormente, Galli integrou o governo Jair Bolsonaro e sua atuação passou a ser explorada para associar o episódio à candidatura de Flávio.
Em 25 de setembro, o ministro André Mendonça, do TSE, determinou a retirada de postagens que apresentavam como verdadeira a afirmação de que Flávio pretendia retirar o título da padroeira, considerando o conteúdo “notoriamente inverídico”. Segundo o Instituto Democracia em Xeque, o tema resultou em 124 milhões de interações em 1,3 milhão de publicações nas redes sociais entre 23 e 27 de setembro, sendo a maior parte das postagens proveniente de perfis de esquerda.




