Início Mundo Falta de energia em Cuba coroa crise generalizada sob ameaça de Trump

Falta de energia em Cuba coroa crise generalizada sob ameaça de Trump


Da redação

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, declarou na última quinta-feira (5) que o país enfrentará “tempos difíceis”, mas prometeu superá-los “com resistência criativa” e o esforço de todos. O apelo veio em seu primeiro pronunciamento desde a prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, no início de janeiro, episódio que agravou a crise energética na ilha, dependente do petróleo venezuelano.

Sem os fornecimentos da Venezuela, barrados por sanções dos EUA, Cuba enfrenta apagões de até 20 horas em algumas regiões e longas filas para combustível. O país produz menos da metade do petróleo que consome e depende agora de México e Rússia, mas o apoio mexicano está em risco após declaração do ex-presidente Donald Trump sobre possíveis cortes.

Na sexta-feira (6), o vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga anunciou um plano emergencial com restrições à venda de combustíveis, redução de viagens de ônibus e trem, fechamento de hotéis e cortes na jornada escolar, medidas que entram em vigor nesta segunda-feira (9). “O combustível está sendo destinado à proteção de serviços essenciais”, afirmou.

A crise atual aprofunda a escassez de remédios, a instabilidade econômica e o êxodo. Especialistas como Arturo Lopez-Levy, professor na Holy Names University, avaliam que esta é a pior situação de Cuba desde a Revolução de 1959, mais grave até que o Período Especial, após a queda da União Soviética.

Apesar do cenário, o pesquisador destaca a resiliência do regime ao administrar a escassez e manter apoio popular. “Os desafios são gigantescos, mas o governo demonstrou capacidade de gerir a crise em prol da narrativa patriótica”, afirma Levy. Já cidadãos como o padeiro Yoel Cruz relatam dificuldades para trabalhar e o isolamento, mas seguem resistindo no cotidiano.