Família acusa médicas de omissão após cirurgia causar dano cerebral grave em paciente no Recife


Da redação

Familiares de Camila Miranda de Wanderley Nogueira de Menezes, 38 anos, acusam duas médicas de omissão durante cirurgia eletiva realizada em 27 de agosto de 2025 no Hospital Esperança, unidade da Rede D’Or no Recife. Camila foi internada para retirada da vesícula e correção de hérnia inguinal, mas após anestesia geral, sofreu sete episódios de apneia seguidos de parada cardiorrespiratória. Segundo perícia independente, houve alerta do monitor sobre queda na saturação de oxigênio durante 27 minutos, mas as médicas teriam ignorado os sinais e prosseguido com o procedimento.

A perícia, enviada à Folha de S.Paulo, relata que a saturação da paciente atingiu níveis críticos, chegando a 5%, incompatíveis com atividade cerebral. Camila foi reanimada após 15 minutos de parada, mas teve grave dano cerebral, perdeu funções básicas e permanece internada na UTI. Seu pai, o juiz federal Roberto Nogueira, afirma: “Ela não fala, não anda, não vê. Respira sozinha, mas perdeu as partes cognitiva e locomotora”.

A defesa da família denunciou uma das médicas ao Cremepe (Conselho Regional de Medicina de Pernambuco), que informou apurar o caso sob sigilo. Paralelamente, a família prepara ação judicial para responsabilizar os envolvidos e buscar reparação por danos materiais.

O Hospital Esperança diz que as médicas não são funcionárias da unidade e foram escolhidas pela paciente, reforçando que prestou “todo o suporte necessário” após a intercorrência. A defesa da cirurgiã Clarissa Guedes Noronha afirma que a cirurgia foi precisa, sem falha de execução, e que o monitoramento dos sinais vitais cabe à anestesiologista. A defesa de Mariana Parahyba, anestesiologista, informou que não irá se manifestar no momento.

Camila é servidora da Justiça de Pernambuco, casada, mãe de dois filhos, e filha do juiz federal Roberto Nogueira. Segundo o advogado da família, Igor Cesar Rodrigues, “nós queremos que todos os crimes cometidos no decorrer desse procedimento sejam apurados”.