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Família denuncia sequência de ofensas racistas contra adolescente em escola do Distrito Federal

Por Alex Blau Blau

Pais afirmam que estudante de 13 anos sofre ataques raciais recorrentes dentro do ambiente escolar há mais de dois anos e cobram providências mais rígidas após novo episódio provocar abalo emocional no jovem

Uma família do Distrito Federal denunciou um caso de injúria racial envolvendo um adolescente de 13 anos dentro de uma escola localizada em Taguatinga. Segundo os responsáveis pelo estudante, o jovem vem sendo alvo constante de ofensas racistas praticadas por colegas da mesma faixa etária ao longo dos últimos dois anos.

O episódio mais recente teria ocorrido na última semana, quando o adolescente voltou a ser chamado de “macaco” dentro das dependências da instituição de ensino. De acordo com o pai do estudante, as agressões verbais começaram no pátio da escola e depois continuaram dentro da sala de aula, diante de outros alunos.

Ainda segundo a família, após ser novamente ofendido, o adolescente reagiu fisicamente contra um dos colegas envolvidos nas provocações. A situação terminou com a suspensão dos estudantes pela direção da escola.

O pai do menino afirma que já procurou a instituição diversas vezes para relatar os episódios de discriminação racial enfrentados pelo filho. Segundo ele, apesar das reclamações feitas anteriormente, as medidas adotadas não impediram que as agressões continuassem acontecendo.

A família relata que o adolescente apresenta sinais de forte desgaste emocional em razão dos episódios. O estudante estaria abalado psicologicamente, chorando com frequência e demonstrando resistência para retornar às aulas após o novo caso.

Em boletim de ocorrência registrado pela família, o pai descreve sentimento de indignação e impotência diante da repetição das ofensas. Ele também questiona a condução da escola ao suspender o filho após a reação física, alegando que o adolescente tentou se defender das agressões sofridas.

A escola confirmou que houve um desentendimento entre os estudantes dentro da sala de aula e informou que os dois envolvidos receberam suspensão de três dias. A instituição declarou que a punição ocorreu em razão de comportamentos considerados incompatíveis com as normas internas de convivência e respeito.

Segundo a direção da unidade, a equipe pedagógica realizou atendimento imediato aos alunos e entrou em contato com as famílias logo após o ocorrido. O caso também foi encaminhado ao Conselho Tutelar.

A instituição afirmou ainda que repudia qualquer forma de discriminação racial e declarou que situações de preconceito e intimidação entre estudantes são tratadas com rigor. A escola informou que desenvolve ações educativas permanentes voltadas ao combate ao racismo, promoção da igualdade e prevenção de violência no ambiente escolar.

Entre as medidas citadas pela direção estão rodas de conversa, orientações pedagógicas, campanhas educativas e acompanhamento das relações entre os estudantes. A instituição também informou que mantém canais de atendimento para pais e responsáveis apresentarem denúncias e reclamações.

De acordo com a escola, houve registros anteriores relacionados ao caso. Em um episódio ocorrido durante uma atividade esportiva no início do ano, um professor teria realizado intervenção educativa após relato de ofensa racial envolvendo o mesmo estudante.

A direção informou ainda que recebeu outro relato da família no fim de abril, mas afirmou que não conseguiu confirmar oficialmente a denúncia após apuração interna.

O caso reacende o debate sobre racismo no ambiente escolar e os impactos emocionais causados em crianças e adolescentes vítimas de discriminação. Especialistas apontam que episódios repetidos de violência racial podem provocar isolamento, queda no rendimento escolar, ansiedade e outros prejuízos emocionais duradouros.

A família espera agora que as autoridades acompanhem o caso e que medidas mais efetivas sejam adotadas para garantir segurança, acolhimento e respeito ao adolescente dentro do ambiente escolar.