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FAO alerta para riscos à produção agrícola global devido à guerra e El Niño


Da redação

A produção global de alimentos apresenta perspectivas favoráveis, segundo relatório lançado nesta quinta-feira pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). No entanto, o documento alerta que El Niño e dificuldades comerciais causadas pela guerra no Oriente Médio podem alterar esse cenário nos próximos meses, impactando mercados sensíveis de energia e fertilizantes.

Máximo Torero, economista-chefe da FAO, afirmou que os sistemas agroalimentares mostram-se robustos no âmbito produtivo, mas destacou o aumento dos riscos. “Os riscos estão crescendo e muitos deles têm potencial para efeitos rápidos e adversos para o fornecimento e o acesso global”, declarou Torero, defendendo o reforço da resiliência diante de choques climáticos e comerciais.

O relatório destaca que o mercado de fertilizantes segue vulnerável, com o comércio global caindo entre 20% e 25% de janeiro a abril de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da recente queda nos preços, preocupações persistem devido à estagnação da demanda em mercados importantes como a Europa e a América do Norte, especialmente para nitrogênio e fosfato.

O documento aponta que o fluxo marítimo no Estreito de Ormuz, afetado pelo conflito entre Estados Unidos, Irã e Israel, é fator central para a continuidade da cadeia de suprimentos. Qualquer alteração nesse corredor estratégico pode rapidamente afetar a distribuição global de insumos agrícolas e de energia, demonstrando a sensibilidade dos mercados internacionais ao contexto geopolítico.

Quanto às commodities alimentares, a produção global de soja para 2025/26 deve chegar a um novo recorde de 432,3 milhões de toneladas, impulsionada pelo desempenho das lavouras no Brasil e na Rússia. A produção brasileira de açúcar, por outro lado, deve cair pela segunda safra consecutiva, diante do aumento da destinação de cana para etanol e maior demanda pelo biocombustível.

As estimativas para outras culturas indicam que as colheitas mundiais de trigo, grãos grossos e arroz devem recuar em relação a recordes anteriores, embora permaneçam em níveis elevados graças a estoques abundantes. Para carne, projeta-se alta de 1,0% na produção global, totalizando 391,3 milhões de toneladas, enquanto a pesca e aquicultura devem atingir 200,5 milhões de toneladas em 2026, com expansão de 1,0%.