Por Alex Blau Blau
Levantamento aponta concentração de pagamentos em cargos de alto escalão e valores acima da média no funcionalismo
Um grupo de 13 servidores concursados em posições de direção na Câmara dos Deputados acumulou cerca de R$ 9,3 milhões em pagamentos de horas extras desde 2016, considerando valores corrigidos pela inflação. Os dados chamam atenção pela concentração dos repasses em um número reduzido de funcionários que ocupam funções estratégicas dentro da estrutura administrativa da Casa.
Os registros mostram que esses servidores passaram a receber, ao longo dos anos, valores expressivos em adicionais por jornada extraordinária. Em alguns períodos, os ganhos mensais com horas extras ultrapassaram R$ 20 mil e, em determinados casos, chegaram a mais de R$ 30 mil, somados aos vencimentos regulares.
Por se tratar de uma verba classificada como extraordinária, esses pagamentos não entram no teto constitucional do funcionalismo público, o que permite que os valores sejam adicionados ao salário sem impactar o limite legal de remuneração. Na prática, isso abre espaço para que parte dos rendimentos ultrapasse o padrão previsto para servidores federais.
Segundo o levantamento, os pagamentos estariam associados a jornadas consideradas extensas, com atividades que extrapolam o expediente regular e incluem atuação em fins de semana e feriados. O controle dessas horas é feito por sistema eletrônico de ponto, com registros e autorizações internas para cada serviço prestado.
Entre os nomes com maior volume de recebimentos aparece o advogado-adjunto da instituição, que ultrapassou R$ 1 milhão em horas extras ao longo do período analisado. Também figura entre os principais beneficiados o atual diretor-geral da Câmara, com valores que superam R$ 800 mil desde 2016, incluindo pagamentos recentes em 2025.
Os dados foram obtidos a partir de informações públicas disponíveis nos contracheques dos servidores e organizados a partir dos maiores valores pagos em horas extras no período analisado, mostrando uma concentração recorrente desses repasses ao longo dos anos.
Em manifestação, a Câmara dos Deputados afirma que os pagamentos seguem critérios legais e internos, sendo realizados apenas quando há comprovação de jornada adicional, registro de ponto biométrico e autorização prévia. A instituição também destaca que os servidores citados exercem funções com carga horária considerada elevada e que todos os procedimentos seguem a legislação vigente.






