Filantropias vão bancar cientistas dos EUA após Trump ordenar saída do painel da ONU para clima


Da redação

Organizações filantrópicas dos Estados Unidos vão custear a participação de cientistas americanos no IPCC (Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança Climática) após a ordem do presidente Donald Trump para a saída do país da entidade. O IPCC reúne especialistas de todos os continentes para avaliar evidências sobre o aquecimento global e emitir relatórios periódicos.

A Aliança Acadêmica dos EUA para o IPCC, criada em março de 2025, anunciou que irá financiar transporte e estadia de 64 pesquisadores durante todas as reuniões presenciais do sétimo relatório do painel, previsto para publicação até 2029. “O dinheiro para a viagem dos autores virá de filantropias, não de universidades”, afirmou Pamela McElwee, presidente do comitê gestor da Aliança e professora da Universidade Rutgers. Ela não revelou os nomes das organizações doadoras nem os valores arrecadados.

Janice Lachance, diretora-executiva da União Geofísica Americana (AGU), que sedia a Aliança, confirmou os repasses e destacou que isso visa garantir a participação de especialistas americanos, já que pesquisadores de países desenvolvidos dependem de recursos governamentais ou das organizações que os indicam. Ainda assim, há incerteza quanto ao financiamento da unidade técnica responsável pelas análises do Grupo de Trabalho 3, copresidido por Estados Unidos e Malásia, após a saída do governo Trump.

A cientista Katherine Calvin, indicada pelo governo Biden à copresidência do grupo e exonerada da Nasa após o início do novo governo Trump, não deve ser beneficiada pela verba filantrópica, deixando indefinida sua permanência na posição. Também preocupa a situação dos pesquisadores ligados a agências federais, que provavelmente deixarão de receber financiamento.

Formada por dez instituições americanas, entre elas Yale, Princeton e Universidade da Califórnia, a Aliança Acadêmica selecionou 64 dos 282 cientistas indicados para o IPCC, após o governo Trump não nomear nenhum pesquisador. Segundo McElwee, a saída americana estava prevista desde fevereiro de 2025, quando a Casa Branca barrou a participação em uma reunião do painel na China.