Da redação
A guerra no Oriente Médio levou o Copom (Comitê de Política Monetária) a desacelerar o corte dos juros, reduzindo a Selic em 0,25 ponto percentual na última reunião. Antes do conflito, o Banco Central planejava uma diminuição de 0,5 ponto percentual, mas optou por prudência diante da instabilidade internacional. Luis Otavio Leal, economista-chefe da G5 Partners, avaliou que, caso a guerra termine antes da próxima reunião, marcada para 29 de abril, há possibilidade de um corte ainda mais acentuado, de até 0,75 ponto percentual.
Em entrevista ao PlatôBR, Leal explicou que o principal risco à continuidade do ciclo de cortes é o prolongamento da guerra no Oriente Médio. Outros fatores de preocupação incluem a maior volatilidade no Brasil devido às eleições presidenciais, além de uma possível crise política ligada ao escândalo do banco Master. O cenário internacional também preocupa, especialmente as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que podem enfraquecer o presidente Donald Trump e impactar a economia global.
O economista considera que o Banco Central sinalizou ter iniciado um ciclo de redução dos juros, deixando aberta a possibilidade de acelerar esse ritmo caso haja melhora no cenário externo. Leal também ressalta que juros altos têm provocado dificuldades para empresas brasileiras, aumentando o risco de desemprego e ameaçando a recuperação econômica.
Segundo Leal, com inflação entre 3,5% e 4% ao ano, a taxa de juros real neutra para o país seria de 6%, o que permitiria uma Selic nominal entre 9,5% e 10%. Ele pondera, no entanto, que a velocidade dessa queda dependerá tanto do ambiente doméstico quanto externo.
Por fim, Leal destacou que o câmbio será o principal termômetro para o Banco Central calibrar novos cortes. Se o real se mantiver entre R$ 5,15 e R$ 5,30 frente ao dólar, existe espaço para cortes mais fortes. Caso o ambiente eleitoral traga tensão, a margem para novas reduções diminui.







