Por Alex Blau Blau
Senador questiona suspensão de visitas ao ex presidente Jair Bolsonaro, promete recorrer e classifica decisão como interferência no cenário político
O senador e pré candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, reagiu nesta segunda feira, 13 de julho, à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que suspendeu por 90 dias suas visitas ao ex presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar.
Durante uma transmissão ao vivo pelas redes sociais, o parlamentar afirmou que a medida tem motivação política e representa uma tentativa de interferência no processo eleitoral deste ano. Segundo ele, a determinação impede o contato entre pai e filho justamente durante um período considerado decisivo para a pré campanha.
“Essa decisão configura claramente uma tentativa de Alexandre de Moraes de interferir nas eleições deste ano. Além de toda a injustiça que vem sendo praticada contra Jair Bolsonaro, agora ele também impede que eu possa conversar com meu pai durante noventa dias.”
Flávio também declarou que considera a decisão uma forma de deixar o ex presidente isolado, questionando o período estabelecido pelo ministro.
“Na prática, eu só poderia voltar a falar com meu pai depois do primeiro turno. Qual foi o critério para determinar exatamente noventa dias? Alguém acredita que isso seja apenas uma coincidência?”
A decisão judicial foi tomada após a divulgação de uma carta escrita por Jair Bolsonaro em apoio à pré candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. No documento, o ex presidente manifesta apoio ao filho e pede respaldo de seus eleitores ao projeto político.
Na decisão, Alexandre de Moraes entendeu que a carta foi utilizada para contornar a proibição imposta ao ex presidente de se manifestar publicamente, inclusive por intermédio de terceiros. O ministro também concedeu prazo para que a defesa esclareça se Bolsonaro autorizou a divulgação do conteúdo.
Flávio Bolsonaro contestou o entendimento e afirmou que outras cartas escritas pelo pai já haviam sido divulgadas anteriormente sem qualquer manifestação da Justiça.
O senador também informou que pretende recorrer da decisão e buscar apoio da Ordem dos Advogados do Brasil. Segundo ele, como integra a equipe de defesa de Jair Bolsonaro, entende que a restrição também afeta prerrogativas da advocacia.
“A Ordem dos Advogados do Brasil já foi comunicada e vamos formalizar o pedido para que acompanhe esse caso. O direito de um advogado se comunicar com seu cliente está garantido em lei e precisa ser respeitado.”
O episódio amplia a tensão entre a defesa do ex presidente e o Supremo Tribunal Federal em meio às restrições impostas durante o cumprimento da prisão domiciliar. A decisão ainda deve ser objeto de novos recursos e manifestações das partes envolvidas.




