Da redação
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter tido papel decisivo para a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, anúncio feito nesta semana em Washington. A medida ocorre em meio à expectativa de Flávio para as próximas eleições e gera reações no cenário político brasileiro.
A inclusão dos dois grupos na lista americana pode causar atritos diplomáticos entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos. Segundo analistas, embora a decisão possa não provocar tantos impactos práticos quanto se comenta, há consenso de que não trará efeitos positivos imediatos para as relações bilaterais.
No episódio, chamou atenção a postura de Flávio Bolsonaro ao buscar interferência de autoridades estrangeiras em temas internos do país. Em 2023, seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, também buscou apoio externo ao fazer lobby para sobretaxas sobre exportações brasileiras e sanções a autoridades nacionais.
Na ocasião anterior, a atuação foi vista como prejudicial à economia local e mencionada em debates políticos. A repercussão desses movimentos é considerada incerta quanto ao impacto eleitoral para Flávio. Ele foi fotografado em encontro com Donald Trump, o que, para parte do público, pode transmitir imagem de prestígio internacional.
Especialistas destacam que é difícil comunicar à maioria dos eleitores as complexidades da inclusão de facções na lista de terroristas dos Estados Unidos. A percepção de ganhos eleitorais para Flávio permanece indefinida, especialmente diante de outras questões envolvendo seu nome, como os supostos contatos com Daniel Vorcaro.
Flávio Bolsonaro realizou em Washington um tipo de articulação informal que especialistas denominam de diplomacia de facção, em que relações se estabelecem entre projetos políticos semelhantes e não diretamente entre Estados. Analistas apontam que esse formato diplomático difere das alianças internacionais entre partidos ou dissidentes políticos tradicionais.





