Flávio pede voto de confiança às instituições: ‘Não é hora de radicalizar’

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) declarou que é hora de dar “um voto de confiança” às instituições brasileiras. O filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse ainda que “por mais que dê vontade de xingar, não é hora de radicalizar”.

“O momento não é de medidas drásticas, de partir para dentro de instituições. O Brasil não precisa disso agora. Por mais que, às vezes, dê vontade de xingar um, xingar outro, por mais que a gente perceba, às vezes, alguns sinais de que há algo estranho no ar, o momento nosso é o de dar o voto de confiança às instituições, de dar o voto de confiança às autoridades”, disse Flávio ao participar de uma live na noite de ontem, no perfil de uma consultoria.

Ainda segundo o senador, “não há razão para desconfiança entre as instituições”.

“Essa mensagem eu queria passar aqui, não adianta passar para radicalismo de querer fazer as coisas com as próprias mãos. Por mais que dê vontade, de vez em quando, a gente tem uma legislação que está sendo observada, uma Constituição que rege os poderes”, completou.

Na segunda-feira, um dia depois de o STF (Supremo Tribunal Federal) ser alvo de novos protestos de apoiadores do governo Bolsonaro em Brasília, Sara Winter, uma das líderes do grupo que se autodenomina “300 do Brasil”, foi presa no inquérito que apura as manifestações antidemocráticas.

Ontem, uma operação realizada mirou outros aliados do governo federal suspeitos de envolvimento nessas mesmas manifestações. Eles tiveram os sigilos fiscais quebrados a mando do STF e foram alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF).

O discurso apaziguador de Flávio contrasta com o de outros aliados de Bolsonaro, entre eles o irmão Eduardo (PSL-SP). No final do mês passado, o deputado federal sugeriu que as Forças Armadas fossem usadas como um “poder moderador” para restabelecer a harmonia entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

Bolsonaro diz que tomará medidas legais contra “abusos”

Ontem à noite, Bolsonaro divulgou uma mensagem pública em que negou autoritarismo e afirmou respeitar a democracia, mas não aguentar calado o que chamou de “abusos”.

“O que adversários apontam como ‘autoritarismo’ do governo e de seus apoiadores não passam de posicionamentos alinhados aos valores do nosso povo, que é, em sua grande maioria, conservador. A tentativa de excluir esse pensamento do debate público é que, de fato, é autoritária”, escreveu o presidente em suas redes sociais. “Queremos, acima de tudo, preservar a nossa democracia. E fingir naturalidade diante de tudo que está acontecendo só contribuiria para a sua completa destruição. Nada é mais autoritário do que atentar contra a liberdade de seu próprio povo.”

Sem citar diretamente as operações da PF e decisões do STF, Bolsonaro afirmou que tomará “medidas legais” por considerar que direitos estão sendo violados.

“Luto para fazer a minha parte, mas não posso assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas. Por isso, tomarei todas as medidas legais possíveis para proteger a Constituição e a liberdade do dos brasileiros.”

Fonte: Notícias UOL