Da redação
O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou, nesta terça-feira, seu relatório anual “Perspectiva Econômica Mundial”, apontando que o crescimento global deve chegar a 3,3% em 2026, com leve desaceleração para 3,2% em 2027. O documento ressalta que, diante de oscilações econômicas e preços elevados de energia, já há danos estruturais considerados “inevitáveis” no cenário financeiro atual.
Para enfrentar instabilidades nas políticas comerciais, o FMI recomenda investimentos robustos em tecnologia e estímulos fiscais e monetários estratégicos. O órgão destaca a importância da atuação do setor privado e de condições financeiras adaptáveis para manter a resiliência global. Apesar da expectativa de queda da inflação, a estimativa indica que o retorno dos preços à meta ocorrerá nos Estados Unidos de forma mais lenta do que o previsto, com riscos ligados à tecnologia e tensões geopolíticas.
A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, defende cautela, recomendando que bancos centrais priorizem a estabilidade monetária, atuando apenas quando a credibilidade das instituições estiver em risco. Para as autoridades fiscais, ela sugere auxílio direcionado e temporário às populações vulneráveis, mantendo rigor nos limites fiscais.
No Brasil, o órgão projeta crescimento de 1,6% em 2026, abaixo da média latino-americana de 2,2%, mas prevê recuperação para 2,3% em 2027. Mesmo assim, o país se posiciona como a quinta economia de melhor desempenho entre os principais mercados globais. O ranking para 2026 é liderado por Índia (6,4%), China (4,5%), Arábia Saudita (4,5%), Nigéria (4,4%) e Estados Unidos (2,4%). Em 2027, a Índia mantém a liderança, seguida por Nigéria, China, Arábia Saudita e Brasil.
O FMI destaca o dinamismo das economias emergentes e o crescimento consistente da África Subsaariana, com projeção de 4,6% para 2026 e 2027. O relatório alerta ainda para o impacto dos gastos militares, que subiram 2,7 pontos percentuais do PIB global em 30 meses, financiados principalmente por déficits públicos, o que contribui para inflação e deterioração externa, além de provocar cicatrizes macroeconômicas profundas em áreas de conflito.




