Foi buscar marqueteiro ‘no LinkedIn’: aliados fazem troça de iniciativa de Flávio


Da redação

Mesmo com o apoio público de Jair Bolsonaro, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República enfrenta desconfiança entre possíveis aliados e figuras experientes do cenário político nacional. A principal dúvida não é apenas sobre a disposição do filho do ex-presidente em levar a candidatura até o fim, mas também quanto à viabilidade política do projeto de retirar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do poder.

Nos bastidores do PL e do Centrão, cresce a sensação de improviso na pré-campanha de Flávio. Comentários feitos reservadamente por integrantes desses grupos criticam a falta de organização, agravada pela busca pública do presidenciável por um marqueteiro ou jornalista experiente. A exposição das fragilidades da equipe de campanha foi motivo de chacota entre aliados, com um correligionário brincando que Flávio estaria “ofertando vagas no LinkedIn”.

Outro fator que alimenta as dúvidas envolve o risco jurídico. Caso seja derrotado na eleição, Flávio perderia o foro privilegiado garantido hoje como senador, o que vai na contramão da estratégia do pai, Jair Bolsonaro, que buscava blindar os filhos de investigações durante seu mandato.

Nem mesmo os últimos acenos públicos de Tarcísio de Freitas (Republicanos) a Flávio são suficientes para dissipar as incertezas sobre a chapa que terá o apoio de Bolsonaro. No Centrão, segue a preferência por Tarcísio, considerado mais capaz de dialogar com eleitores moderados e descontentes com Lula, ao contrário do radicalismo associado ao primogênito do ex-presidente.

Aliados do chamado “time dos desconfiados” veem Gilberto Kassab (PSD) como referência e alertam que gratidão não é sinônimo de submissão. Caso Flávio insista na pré-candidatura, o PSD pode lançar nomes próprios, como os governadores Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS). A unificação da oposição só ocorreria se Tarcísio assumisse o protagonismo e liderasse uma frente ampla contra a reeleição de Lula.