Da redação
O desembargador Magid Nauef Láuar foi denunciado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pelo primo de segundo grau Saulo Láuar, de 42 anos, que afirma ter sido vítima de tentativa de abuso sexual na adolescência. A decisão de Saulo veio após Magid participar da absolvição de um réu de 35 anos acusado de estupro de vulnerável por manter relação com uma menina de 12 anos. O caso provocou repercussão e o CNJ já ouviu outras cinco pessoas que relataram denúncias similares contra o magistrado.
“Diante da insatisfação coletiva acerca da decisão de absolvição do pedófilo, me senti no dever existencial de fazer frente a esse desafio, para cessar um comportamento tão nocivo a toda sociedade, especialmente aos mais vulneráveis, que são os crimes sexuais”, declarou Saulo à Folha de S.Paulo.
Saulo relata que, quando adolescente, foi office boy e assistente pessoal de Magid, entre 13 e 15 anos, desempenhando tarefas como pagamentos e transporte de documentos. Em suas redes sociais, ele publicou uma foto da época em que trabalhou no fórum da Comarca de Ouro Preto (MG) e relatou publicamente o suposto abuso.
O denunciante afirmou que não detalhou o episódio à reportagem para não “retomar a ferida emocional”. Após tornar públicas as acusações, Saulo afirmou sentir o corpo “tenso, dolorido, e a garganta entalada”, relatos do impacto causado pela exposição do trauma.
O desembargador, por meio do Tribunal de Justiça, disse que não vai comentar o caso. Na quarta-feira (25), Magid acatou recurso do Ministério Público e reverteu a absolvição do réu acusado de estuprar a menina de 12 anos. Em sua decisão, declarou: “Infelizmente, foi necessário um caso de minha relatoria para expor um recorrente entendimento adotado pelo Poder Judiciário: desconsiderar a realidade social e os avanços teóricos sobre perspectiva de gênero.”






