Da redação
O Fórum de Defesa das Águas, do Clima e do Meio Ambiente do Distrito Federal articula um manifesto que solicita a criação de uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, na modalidade de Parque Nacional, na Serrinha do Paranoá, localizada no Lago Norte. Conforme o documento, a proteção deve englobar as áreas remanescentes de Cerrado e a totalidade da Gleba A.
De acordo com o manifesto, dados técnicos indicam que a urbanização da região pode aumentar a vulnerabilidade do Distrito Federal às mudanças climáticas. A Serrinha do Paranoá é considerada um “território esponja” pela capacidade de absorver água da chuva e recarregar os lençóis freáticos, além de abrigar mais de 106 nascentes que alimentam diretamente a Bacia do Lago Paranoá.
Segundo o Fórum, o manancial se tornou estratégico para evitar o racionamento estrutural de água, principalmente após investimentos de R$ 42 milhões realizados na crise hídrica de 2017. Estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) alerta que o desmatamento da área pode liberar 104,5 mil toneladas de dióxido de carbono, gerando passivo climático de R$ 2,5 bilhões e agravando as ilhas de calor urbanas.
As entidades também destacam o papel social do futuro parque na organização territorial. A Serrinha do Paranoá faz fronteira com regiões administrativas de rápido crescimento populacional e alta concentração de famílias de baixa renda, como Paranoá e Itapoã. A proposta estabelece a suspensão de licenciamento ou edificação na área, inclusão formal na Área de Proteção de Manancial do Lago Paranoá e recomenda consultas públicas transparentes em futuras decisões, com apoio do Conselho da Área de Proteção Ambiental do Planalto Central, do Comitê de Bacia Hidrográfica do Paranaíba-DF e do Conselho Nacional do Meio Ambiente.




