Da redação
A França inaugurou, nesta segunda-feira (5), uma nova promotoria especializada no combate ao crime organizado, reforçando sua “guerra” contra o tráfico de drogas diante do aumento de assassinatos relacionados ao tema. A medida faz parte de uma lei aprovada pelo Parlamento em abril, que também prevê um novo regime penitenciário, com prisões de segurança máxima inspiradas em modelos italianos.
Segundo o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, a criação dessa promotoria “é um marco histórico na luta contra o tráfico de drogas”, conforme declarou na noite de domingo na rede social X. A violência ligada ao tráfico aumentou nos últimos anos: somente em 2024, a França registrou 110 mortos e 341 feridos, além do assassinato do irmão de um ativista antidrogas em Marselha, fato que elevou o alerta das autoridades.
Vanessa Perrée, promotora que dirigirá a recém-criada Pnaco, afirmou à AFP que os grupos envolvidos são “pessoas muito perigosas”, cujas ações podem se aproximar “do terrorismo” por “desestabilizarem a ordem social”. Inicialmente, a Pnaco contará com 16 magistrados, sendo seis especializados em crime organizado clássico e outros seis em crimes financeiros, com previsão de incorporar mais dez integrantes em setembro.
A nova legislação permite investigações patrimoniais mais aprofundadas, o uso de atas confidenciais para resguardar certas técnicas, escutas remotas em celulares e ampliação do tempo de custódia policial. “A França não é um narcoEstado”, destacou Perrée, ressaltando os esforços para evitar tal cenário.
A promotoria, que já assume 170 processos sobre tráfico de drogas, imigração clandestina, tráfico de pessoas, proxenetismo e roubos à mão armada, também alerta para a possível influência de traficantes em bairros, especialmente às vésperas das eleições municipais de março.





