Da redação
A guerra no Oriente Médio provocou mudanças nas rotas de exportação de frango do Distrito Federal, que responde por metade das exportações brasileiras do produto. Segundo a Secretaria de Estado de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri-DF), o fechamento do estreito de Ormuz bloqueou a entrada de cargas em países do Oriente Médio, incluindo os Emirados Árabes Unidos, principal parceiro comercial do DF.
Com o bloqueio, a solução imediata foi desviar os contêineres para a China, outro importante comprador. Apesar da alteração, o abate de frangos permanece em níveis normais até o momento. Rafael Toscano, presidente da Associação dos Avicultores do Planalto Central (Aviplac), destaca a apreensão do setor diante da incerteza sobre a duração do bloqueio.
A preocupação se intensifica devido ao mercado do Oriente Médio exigir frangos abatidos conforme o preceito Halal, que segue princípios islâmicos e eleva o custo de produção. Segundo Toscano, o desvio das cargas para a China, que não exige o abate Halal, gera prejuízos. “Se o bloqueio continuar, precisaremos buscar novos mercados. Uma possível diminuição da produção poderá impactar fortemente a economia do DF, que emprega 6 mil pessoas diretamente e 15 mil indiretamente”, afirma.
Dados do Boletim do Comércio Exterior do DF apontam que a Arábia Saudita é responsável por 29,4% das compras, movimentando US$ 19,28 milhões no último trimestre de 2025. O principal produto exportado é o peito de galinha congelado, com US$ 15,02 milhões e 5,87 milhões de kg.
O secretário Rafael Bueno afirmou ao Correio que não houve cancelamento de contratos até agora, e o fluxo para países como a Arábia Saudita segue normal. Ele enfatizou que o governo está preparado para agir em caso de agravamento da situação, com medidas similares às adotadas durante casos de gripe aviária no DF.






