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Fundo de previdência municipal aplicou no Master 20 vezes mais que o recomendado

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Da redação

Um documento anexado ao inquérito civil do Ministério Público do Rio, que apura possíveis prejuízos decorrentes de investimentos no Banco Master, indica que o Itaprevi, instituto de previdência dos servidores de Itaguaí (RJ), ignorou uma consultoria e aplicou no banco de Daniel Vorcaro 20 vezes mais do que o recomendado.

A política de investimentos de 2024, elaborada pela consultoria Mais Valia, sugeria alocação de até 1% do patrimônio do fundo em Letras Financeiras, títulos de dívida emitidos por bancos sem garantia do Fundo Garantidor de Crédito. Apesar disso, o Itaprevi destinou 20% do patrimônio — cerca de R$ 60 milhões — ao Master em menos de uma semana. Os papéis tinham prazo de dez anos.

Em junho de 2024, o estatuto do fundo previa limite de 2% do patrimônio para essa modalidade. A situação mudou com uma resolução interna aprovada pelos antigos gestores, que elevou o teto para 20%. Após a mudança, foram feitos dois aportes no Master em intervalo de uma semana: R$ 29,6 milhões em 28 de junho e R$ 30 milhões em 3 de julho daquele ano.

Procurado, o atual presidente do Itaprevi, Carlos Eduardo Cruz Ferreira Gonçalves, afirmou que o perfil histórico da carteira do fundo sempre foi conservador e não adotava investimentos de risco elevado. Segundo ele, a aplicação no Master destoou desse padrão e o caso aumentará o déficit atuarial do instituto.