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Gaza começa a remoção de 370 mil toneladas de lixo


Da redação

Organizações da sociedade civil iniciaram uma operação de remoção de resíduos no Mercado Firas, no centro da Cidade de Gaza, com apoio do Programa da ONU para o Desenvolvimento (Pnud). O local, considerado o maior ponto de acúmulo de lixo da região desde o início da guerra, tem cerca de 370 mil toneladas de resíduos acumuladas em dois anos, agravando riscos ambientais e de saúde pública diante do colapso dos serviços básicos.

A destruição de infraestruturas e a interrupção dos serviços de coleta de lixo e saneamento intensificaram a crise, levando montanhas de resíduos a ocupar ruas e áreas densamente povoadas. Caminhões e bulldozers do Pnud estão mobilizados para transportar os dejetos para locais distantes das zonas residenciais, tentando diminuir os riscos à saúde da população.

Segundo Amjad Al-Shawa, chefe da Rede de ONGs na Faixa de Gaza, “o início da remoção do lixo representa um acontecimento significativo para a população palestina”. Ele destacou que o acúmulo de resíduos contribuiu para o surgimento de “muitas epidemias, doenças, insetos, roedores e animais”, e que a ação oferece “um vislumbre de esperança” em meio ao agravamento da situação sanitária.

Moradores próximos ao aterro improvisado relatam o impacto direto em suas vidas. Anwar Helles afirmou que o lixo representa um “perigo” devido ao aumento de maus odores, mosquitos e cães vadios. Ahmad Hajaj, outro residente, descreveu a convivência com o lixo como “difícil” e “inadequada”, ressaltando que crianças são especialmente afetadas por doenças.

Antes da guerra, Gaza produzia cerca de 2 mil toneladas de resíduos sólidos diariamente, segundo a Autoridade de Qualidade da Água e do Ambiente. Com o colapso dos serviços, a rápida acumulação de lixo tornou-se um dos principais problemas ambientais e de saúde pública enfrentados pela região.