Da redação
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, afirmou nesta semana que a crise relacionada ao Banco Master foi atribuída de maneira inadequada ao STF, destacando que se trata de uma questão sistêmica que ultrapassa o Judiciário. A declaração ocorreu durante entrevista em Brasília para comentar repercussões recentes envolvendo o tribunal.
Gilmar atribuiu parte do problema a falhas de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários e do Banco Central. Segundo o ministro, “A crise do Master não está na Praça dos Três Poderes, está na Faria Lima”. Ele ainda afirmou não querer isentar de responsabilidade “quem tem”, mas ressaltou que eventuais vínculos de magistrados com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro “certamente estão sendo investigadas” pelas autoridades competentes.
O decano do STF também criticou a condução da crise institucional e comentou que a proposta de código de ética apresentada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, trouxe desconforto interno por ter surgido durante momento de vulnerabilidade de ministros. Apesar disso, Gilmar negou haver divisão interna e enfatizou a necessidade de unidade na liderança do tribunal.
Acerca do inquérito das fake news, o ministro defendeu a continuidade da investigação diante do clima de radicalização política e da proximidade das eleições de 2026. Ele justificou a medida ao citar episódios recentes de ataques direcionados a ministros e outras autoridades públicas.
Gilmar também avaliou que a rejeição de Jorge Messias, advogado-geral da União, ao STF, ocorreu por motivos “puramente políticos”. Afirmou que a questão não estava relacionada com a qualificação de Messias e apontou falhas de articulação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o Congresso. Destacou ainda que a atual gestão é minoritária no Legislativo.
O ministro rebateu críticas ao Fórum de Lisboa, conhecido como “Gilmarpalooza”, afirmando que o evento não determina quem participa, nem controla eventuais investigações sobre convidados. Sobre transparência, defendeu que a divulgação de rendimentos por palestras pode ser debatida no Judiciário, desde que respeite consensos e diferenças institucionais.






