Da redação
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos deu prazo até sexta-feira para que a empresa californiana Anthropic aceite o uso militar irrestrito de sua inteligência artificial (IA) pelo Pentágono. A informação foi confirmada nesta terça-feira (24) por um alto funcionário do governo. O ultimato estabelece 17h01 (19h01 de Brasília) como horário limite para a empresa se posicionar, sob ameaça de ordem de cumprimento forçado baseada na Lei de Produção de Defesa.
O diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, reuniu-se pessoalmente com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, no Pentágono, também nesta terça-feira. O principal ponto de desacordo é a recusa da empresa em permitir que seus modelos de IA, chamados Claude, sejam usados para vigilância em massa de cidadãos americanos ou em armamentos totalmente autônomos.
Em declaração, a Anthropic afirmou que Amodei “expressou seu agradecimento pelo trabalho do Departamento e agradeceu ao secretário por seu serviço” e reforçou que mantém “conversas de boa-fé sobre nossa política de uso para garantir que a Anthropic possa continuar apoiando a missão de segurança nacional do governo”.
O Pentágono ameaça classificar a Anthropic como risco para a cadeia de suprimentos, medida normalmente aplicada apenas a empresas de países adversários que poderia prejudicar seriamente a companhia. Um alto funcionário rejeitou as preocupações da empresa, afirmando que o Departamento “apenas emitiu ordens legais”, e que “a legalidade é responsabilidade do Pentágono como usuário final”.
O Departamento de Defesa confirmou ainda que o sistema Grok, de Elon Musk, foi autorizado para uso em ambiente classificado. Outras empresas, como OpenAI e Google, também estão próximas de obter autorizações. No ano passado, a Anthropic foi contratada, junto às concorrentes, para fornecer modelos de IA ao setor militar em um acordo de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão).






