Da redação
O governo brasileiro deseja acelerar a aprovação, no Congresso Nacional, do acordo comercial firmado entre Mercosul e União Europeia no último sábado (17). Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve encaminhar nos próximos dias a proposta de adesão e internalização do tratado para a Câmara dos Deputados.
A iniciativa ganhou urgência após o Parlamento Europeu decidir, nesta quarta-feira (21), solicitar ao Tribunal de Justiça da União Europeia um parecer sobre a legalidade do acordo, em votação apertada: 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções. Esse pedido paralisa a implementação do tratado, que ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos dos 32 países envolvidos, incluindo os cinco do Mercosul e 27 europeus. O tribunal costuma demorar cerca de dois anos para emitir um parecer.
Alckmin afirmou que “o Brasil não vai parar” e seguirá com o processo de encaminhamento do acordo ao Legislativo. Ele destacou o apoio de lideranças europeias, como o chanceler alemão Friedrich Merz, que defendem a aprovação e implementação parcial do tratado até a decisão do tribunal. “Quanto mais rápido agirmos, melhor, pois isto pode permitir uma vigência transitória enquanto há a discussão judicial”, afirmou Alckmin.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, classificou a interrupção como preocupante após 26 anos de negociações, mas manteve otimismo. “Há, na Europa, um lobby muito grande contra produtos brasileiros. Respeitamos as diferenças, mas fizemos nosso dever de casa. Agora falta o Parlamento Europeu fazer o dele”, disse Viana, que pretende liderar uma campanha para melhorar a imagem do Brasil no continente europeu.
Segundo a ApexBrasil, a implementação do acordo pode aumentar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, destacando oportunidades para setores como máquinas, autopeças e itens da indústria química, com expectativa de diversificação das vendas internacionais do país.





