Da redação
O governo do Chile, liderado pelo ultradireitista José Antonio Kast desde 11 de março, anunciou nesta terça-feira (24) a retirada do apoio à candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas. A candidatura, que contava com o apoio conjunto de Brasil e México, vinha sendo impulsionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo ex-presidente chileno Gabriel Boric.
Em nota oficial, a Presidência chilena afirmou: “Concluímos que o contexto desta eleição, a fragmentação das candidaturas de países latino-americanos e nossas divergências com alguns dos principais atores que moldam este processo tornam esta candidatura e seu potencial sucesso inviáveis”. O governo informou ainda que o Ministério das Relações Exteriores e as embaixadas chilenas cessarão todos os esforços de promoção ligados à candidatura de Bachelet.
Apesar da retirada, Kast sinalizou que, em respeito ao histórico de Bachelet, caso ela prossiga com a candidatura, o Chile não apoiará outro nome ao cargo. Em fevereiro, Lula defendeu publicamente Bachelet, afirmando que “em oito décadas de história, é hora de a organização finalmente ser comandada por uma mulher” e destacou sua experiência e legitimidade internacional.
Michelle Bachelet, de 74 anos, foi a primeira mulher a presidir o Chile, liderando o país em dois mandatos (2006-2010 e 2014-2018), além de já ter sido Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos (2018-2022). O novo secretário-geral da ONU será escolhido até o final do ano, em decisão que passa pelo Conselho de Segurança.
Outro candidato ao cargo é o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e apoiado pelo presidente Javier Milei. Grossi criticou o apoio brasileiro a Bachelet, ao dizer à Folha de S.Paulo esperar uma mudança futura desse posicionamento.





